Lua dos ares dúbios

Os gêmeos Castor e Pollux são filhos de Leda – de acordo com a mitologia greco-romana, Castor nasce mortal, filho do rei Tíndaro, e Pollux, filho de Zeus, imortal. Quando Castor morre, Pollux pede a Zeus pra dividir a imortalidade com o irmão: passam, então, a viver seis meses entre os deuses e seis meses no Hades, no submundo. Por esse ato de afeto, os gêmeos são homenageados com uma constelação, lembrados pra sempre no firmamento.

Mercúrio é o planeta regente dos gêmeos, e, na astrologia clássica, ele é o mensageiro dos deuses, transitando entre o Olimpo e os mortais com asas nos pés: para a eficácia da informação que vai e vem. O signo de gêmeos, portanto, carrega valores análogos ao seu regente, fazendo jus aos atributos da boa oratória, das palavras bem comunicadas. Por ser do elemento ar, se relaciona com o mundo das ideias e com a sociabilidade. Quando a Lua passa por gêmeos, como no dia de hoje, somos todos influenciados, uns em menor, outros em maior grau, pois estamos todos sob o mesmo céu. Cada um pode ser dois: alegre e triste, terreno e divino, tragicômico – como se nossa mente deslizasse entre o limbo e os céus.

Há aqueles que nasceram sob a Lua geminiana, que trazem consigo essa duplicidade do humor em modo constante. Além da sagacidade, fazem de tudo um pouco: um olho na faca e outro no queijo.  

A imaginação da Lua geminiana gosta daquilo que é novo, anda antenada nas  redes sociais e nas tecnologias de comunicação: surpresas que possam incrementar o cotidiano. E, apesar da possível dispersão, há um foco na fuga do tédio, sempre a evitar a rotina nossa de cada dia. O divertimento e a brincadeira fazem parte dessa empreitada. Seja com a lábia da barganha ou com os truques do mago-palhaço; com a criança que fura o bolo e sai correndo ou com uma boa partida de algum jogo, apostando quem será o ganhador.

Mas-contudo-todavia-entretanto, a Lua está minguante. A dualidade e a oscilação, legítimas em gemini, concordam com o poetinha: é melhor ser alegre que ser triste. Porém seu temperamento sanguíneo – isto é: seu ânimo caloroso e sociável – tende a perder um pouco a intensidade à medida em que a Lua vai minguando, trazendo à tona um período reflexivo, em que recolhemos as energias.

Só nos resta voar com o pensamento, enquanto a Lua nova não vem.

 

*Imagem: Clara Cohen

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